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Depoimentos

De Cel. Altino Berthier Brasil, da Academia Rio-Grandense de Letras, sobre os livros Oficina Natureza - haikais e A eloquência do bambu e do fogo - Haikais e MÁXIMAS e Mínimas, julho/2011.

HAIKAIS DE NILVA FERRARO

No final do ano passado, com carinhosa dedicatória, recebi de parte de Nilva, o livro OFICINA NATUREZA. Agora, em pleno julho de 2011 sou contemplado com uma nova obra da referida autora, denominada A ELOQUÊNCIA DO BAMBU E DO FOGO, devidamente chancelada com outra imerecida dedicatória.

Confesso não ter competência para interpretar em sua plenitude, as mágicas mensagens que os haikais transmitem em suas silabações e fraseados.

Tive que me valer da observação de Saint Exupéry aos seus leitores: “os olhos são cegos. É preciso ver com o coração”.

Os dois livros de Nilva traduzem as mais sábias mensagens da milenar sabedoria Zen. Sua leitura teve o poder mágico de projetar minha alma para os confins mais remotos da existência humana. Ali julgo ter entrado em harmonia com a consciência cósmica, com a Natureza pura, que é a Mãe da Vida. Senti em meu coração terna sensação de paz e serenidade. Recuperei emoções perdidas, que brotaram como uma bênção. Os pequenos versículos, em sua métrica irradiante e envolvente, fizeram-me entender que a natureza humana necessita de tão pouco para atingir a plena felicidade.

Nas duas obras, a autora revela excepcionais qualidades de poetisa inspirada, sempre voltada para o bom, o belo e o bem. Seu gênio, sua arte, seu canto, sua beleza verbal, sua força descritiva aliada ao poder de síntese; a sutileza e a moralidade quase didática de seus haikais - tudo causa um impacto capaz de conduzir o leitor ao paraíso do sonho e do ideal – ao Mundo de Deus.

A natureza , o céu, o abismo, o rochedo, o fogo, o humilde bambu – recursos temáticos utilizados por Nilva, comprovam ser ela possuidora do raro dom de trabalhar com a transcendência da utopia humana. Sua obra tem a maciez da seda, do veludo, da gaze, tal a delicadeza táctil e espiritual.

É importante também considerar que a excelência de seus livros constitui um exemplo aos brasileiros, em particular aos companheiros da UBE/RS sempre empenhados e produzir literatura de alto nível, como merece o nosso Brasil, em seu desígnio de país culto, criativo, alegre e feliz.

Altino Berthier Brasil


DE MOACYR SCLIAR, Escritor, em 11.11.1992 – sobre LUZES DE OUTONO

Prezada Nilva Ferraro

Compartilho de tua admiração pelo haikai e assim foi com satisfação que recebi o belo volume “Luzes de Outono”, cujos poemas mostram domínio da forma e grande sensibilidade para as situações que se mostram mais férteis para a sintética expressão do haikai. Seguramente tua trajetória te conduzirá ainda a um maior aprofundamento na arte poética.

Recebe os cumprimentos do

Moacyr Scliar


DE ARMINDO TREVISAN, Poeta, Prof e crítico de arte, – em Apresentação de LUZES DE OUTONO – 1992

 

Se alguém deseja saborear os haikais de Nilva Ferraro reunidos em “Luzes de Outono”, deve colocar-se em estado de poesia, e até em estado de haikai, uma vez que semelhante gênero poético, originado no Japão, exige alta concentração intelectual e imagética.


DE MIGUEL SANCHES NETO, poeta e Prof. em carta de 26.07.1993 sobre LUZES DE OUTONO

 

Nilva, muito prezada

O desenho poético que você inscreve em silêncio no vazio da página tem linhas diáfanas, envoltas por cortinas de neblina, mas são prenúncio de luz.

É como acontece no poema sobre o Dia das Mães. A imagem cotidiana das roupas estendidas no varal assume um sentido pungente de solidão. As roupas coloridas multiplicam a família. A mãe contempla a sua prole subitamente aumentada pela imagem do varal cheio. E isso adquire um sentido doloroso, pois é o símbolo multiplicado da vacuidade. Toda a mãe se sente oca, vazia. Isso inconscientemente. A imagem das vestes quando é celebrado o seu dia desperta nela a consciência desta vacância. Poderíamos dizer que as roupas são como fantasmas de ausência.

Mas em seus haikais também há brincadeiras, poemas que guardam um sabor de infância, graças ao humor sutil:

Manhã invernal
manta no pescoço
lenço no nariz

Temos aqui a oposição entre duas partes do corpo (o nariz e o pescoço) e entre dois tecidos. A súbita presença do terceiro verso instaura um contraste divertido que quebra a sisudez da manhã de inverno.

O contraste também é o cerne deste belíssimo poema:

Árvore morta.
Na galharia, pássaros-folhas
são a vida.

Há aqui um renascimento. A Árvore ressuscita através dos pássaros que a habitam. Morte e vida estão amalgamados nos galhos da árvore.

Há diversas imagens altamente sedutoras. Destaco as que mais me marcaram.

Moeda de ouro
depositada no cofre:
lua cheia se põe.

Este poema cria uma interpretação divertida e inusitada. Qual o cofre? O cofre é o dia. A moeda só tem valor de noite, é o dinheiro dos sonhadores, dos que gastam a vida contemplando as coisas. Durante o dia, que é o império de quem trabalha, a lua volta para seu esconderijo. Ela simboliza uma grande riqueza, a que nunca se esgota, mesmo sendo constantemente dissipada.

Outro que me encantou foi

Coqueiro na praia
inclinado para o mar.
Reverência.

Vê-se aqui uma mistura cultural. O coqueiro é uma planta tropical, mas a sua reverência suave é tipicamente oriental. Assim também é o haikai praticado no Ocidente, amálgama de duas culturas.

Outro haikai que me ficou na memória

Tapete de algas
na praia secando:
recado do mar.

Este recado está escrito n u m idioma secreto. Só os olhos do poeta podem decifrá-lo e traduzi-lo. Esta é a função de quem pratica este pacto com o ínfimo que é o haikai: traduzir imagens em palavras, prolongar a luz de um relâmpago.

Com admiração do leitor, Miguel Sanches Neto


DE DRA. MARIA DA GRAÇA BUSKO – Dermatologista, em 25.06.1993

“Luzes de Outono” é simplesmente uma excursão através das manhãs, tardes e noites...

Admiráveis pedaços de claridade e frescor quase sagrados.

Tão belos versos nos evocam à mente grandes iluminações!

Afetuosamente

Maria da Graça


DE CEL. ALTINO BERTHIER B RASIL, escritor e fundador da UBE/RS em 22.12.2000.

Estimada Nilva

Recebi teu belo cartão (Solidão), com os votos de Boas Festas. Agradeço e retribuo, pedindo ao Senhor muita saúde e paz para ti e teus familiares.

A “Alegria de Pertencer”, de tua autoria, está primorosa, como todo o teu trabalho.

Quando te convidei para entrar na UBE (União Brasileira de Escritores-RS) eu sabia que estava convidando pessoa de alto gabarito, capaz de fazer a Entidade crescer. Nunca imaginei, porém, que aquele ato significasse o ingresso de criatura tão humana, sensível, gentil e inteligente.

Daí meu orgulho com a afilhada a qual dedico grande admiração e apreço.

Cordialmente Berthier e Lucy


DE TANIA ROSSI, poeta, em 29.10.2001 – sobre FRUTO MADURO

 

Querida Nilva,

Neste dia que amanheceu, fiquei na mesa do café por longo tempo. E, vendo o “mel sobre a mesa”... (pg.15) e a “lua humilde beijando o horizonte...”(pg. 111), me surpreendi pensando em ti, depois de morder teu “fruto maduro”:

– parece que ela é uma pessoa que desceu das altas esferas e ficou pisando de leve... na Terra!!! ...

Que Deus te abençoe, Nilva, e que te ilumine cada vez mais.

Meu carinho, sempre

Tania


DE JOSÉ LOUZEIRO, escritor e jornalista – em Prefácio de TATUAGEM DE AMOR - 2003

 

(...) Em Tatuagem de Amor, de Nilva Ferraro, as mães são estrelas que Deus semeou sobre a Terra, e elas brilham com a mesma intensidade das que compõem a imensidão das galáxias. Nilva desenha em tons suaves a imagem da ausência: a casa vazia, a flor que ninguém se interessa em colher, os gritos e ruídos que se apagaram nas ondas de silêncio e, agora, na clara manhã de domingo, só a brisa vem de longe, lá de muito longe, a fim de acarinhá-la – mãe solitária, saudosa dos filhos que cresceram e se foram; mãe que chora fingindo sorrir. (...)


DE FREI ROVÍLIO COSTA, escritor e editor - in O POEMA NOSSO DE CADA DIA – 2007

 

(...) Com a mesma genialidade do Poverello, em seu Cântico das Criaturas, Nilva traduz, na genialidade da arte e do belo, a multiforme manifestação do Criador no cosmo e no homem, fazendo da natureza um recado de amor. (...)


A poeta MARINA MARTINEZ fez alguns haikais em forma de brincadeira, depois de ler “PulgaTrapezista”, de Nilva Ferraro e os presenteou, em 18.11.2010.

A pulga trapezista
caiu num pelo de arame.
Desistiu de ser artista.

Sob sol escaldante
minhoca saiu do nó.
Secou. Virou barbante.

Formiga também se cansa.
Tudo vê. Tudo agarra.
Tem ciúmes da cigarra.

Coruja espia a noite.
Tempestade vem chegando.
Teme do vento, o açoite.

Borboleta colorida
jaz no chão esmagada.
Natureza dizimada.

Cavalo-marinho
não pode ser domado.
O que ele faz? Nada!

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